Infância

O frio que entra por entre os agasalhos e o vento que teima em bater na janela mas há um coração que bate aquecido de amor e uma cabeça cheia de memórias.
Ainda sinto, o cheiro da lama que enfeitava as mãos pequenas, a água fria dos passeios na praia, as longas viagens de carro a olhar as constelações, a areia macia a escorregar por entre os dedos. Ainda sinto os pés cansados de tanto correr , mesmo não sabendo que a vida seria uma corrida contra o tempo.
Ainda vejo, o sorriso tímido, as bochechas coradas e o olhar sonhador.
O momento pela qual decidi que ia ser cabeleireira, professora, veterinária, astronauta, cientista e médica.
Quando se é pequeno, tudo se é grande. Os abraços calorosos e reconfortantes são grandes, as gargalhadas e o mundo em si é grande, toda a descoberta feita é algo grande e principalmente o amor que sentimos e damos é grande.
Querida infância, onde eu mal sabia o que era o mundo e o que ele me traria. Relembro da ignorante ingenuidade e do medo do monstro que supostamente vivia debaixo da cama. As vezes que caí mas que depressa me levantava só para mostrar o quanto era forte. Mal eu sabia que nem sempre as dores físicas são as que doem mais mas sim as psicológicas, aquelas que nos destroem.
Mal eu sabia que ia crescer num mundo de hipocrisia, ganância, medo, frustrações, sentimentos à flor da pele.
Eu quis ser adulta porque achava que ia ser independente e queria responsabilidades. Hoje em dia dava tudo para voltar a ser criança. Dava tudo para ter o mundo aos meus pés, todos os sonhos em mim, todas as alegrias num só todo.
Voltar ao tempo em que era fácil sorrir com os olhos, falar por gestos, sentir tudo pela primeira vez.
Hoje relembro todos esses momentos como uma espécie de amor ódio. É a minha infância, onde conheci pessoas incríveis, onde conheci outras que estavam só de passagem e outras que me magoaram. Amo-a porque é minha e somente minha e recordo-a com um sorriso nos lábios. Odeio-a por saber que faz parte do meu passado e que hoje só me traz nostalgia. Lágrimas escorrem pelo rosto trazendo com elas todas as emoções uma vez achadas.
Pudesse eu voltar a ser um dia criança. Pudesse eu recordar um dia a minha infância.

CONVERSATION

3 comentários:

  1. Texto perfeito, muito sentido deste lado e encaixo-me perfeitamente. Ser criança é tão fácil, todos os sonhos e momentos são nossos. E, por vezes queremos que esses ditos momentos mágicos passem rápido e queremos ser adultos. Coisas de adultos é difícil muita burocracia, hipocrisia, estupidez à mistura, e de queremos ser de novo crianças, onde não temos que nos preocupar com nada além do laço que iríamos usar no dia a seguir e do vestido.

    Beijinhos.

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  2. Que texto tão bonito. Parabéns :)

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