Quando a raiva nos consome...

Existem apenas 3 razões as quais me podem ver a chorar : ou estou triste, ou estou rir e muito ou estou com raiva. A pior delas todas é sem dúvida alguma a última.
Sinto. Sinto e muito. Mas muitas vezes sinto calada, no silêncio da mente.
Ouço tudo, vejo tudo mas não falo nada. Isso por vezes pode ser mau, muito mau.
Quantas vezes não fomos assaltados de repente por uma sensação de sufoco como se estivéssemos à beira do precipício porque queríamos falar mas não podíamos?
A vontade de saltar e de dizer tudo o que tinha encravado na garganta era mais que muita. As palavras que esperavam ansiosamente pela libertação não puderam ser libertadas naquele momento.
Então instala-se o caos. Ficamos a remoer e a pensar no que devíamos ter dito, e no que devíamos ter feito. Desesperamos por algo que sentimos á flor da pele mas que nos contemos para não arranjar problemas.
O problema não é arranjar problemas, o problema somos nós. Vamos guardando tudo e vamos aguentando. Chega um dia e a cabeça não aguenta tanta pressão e o coração não aguenta mais sofrer.
Chega um dia em que explodimos. A pressão é tão grande e tudo o que contivemos dentro de nós, é lançado com o dobro da intensidade.
As palavras saem disparadas em todas as direcções como facas afiadas. As lágrimas soltam-se numa tentativa de acalmar a dor que vai dentro de nós. A raiva consomo-nos. A partir do momento em que se dá a explosão, não há retorno.
Depois da tempestade interior e exterior passar, vem um pequeno sinal de alívio, junto com um terrível peso de consciência.
Pior do que sentir raiva, só mesmo sentir arrependimento.
Não se sente arrependimento pelo que dissemos, pois tudo o que foi dito era a mais pura das verdades. Era tudo o que sentíamos e estava reprimido. Sentimos arrependimento porque vemos o olhar magoado das pessoas, porque direta ou indirectamente acabamos por as magoar.
Sinto. Sinto e muito. Mas muitas vezes sinto calada, no silêncio da mente. Esse é o meu erro.



 

 

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2 comentários:

  1. «Sinto. Sinto e muito. Mas muitas vezes sinto calada, no silêncio da mente. Esse é o meu erro», sou tão igual!

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  2. "As palavras saem disparadas em todas as direcções como facas afiadas. As lágrimas soltam-se numa tentativa de acalmar a dor que vai dentro de nós. A raiva consomo-nos. A partir do momento em que se dá a explosão, não há retorno." é assim que me sinto quando explodo mas sou tal e qual o texto.. fico calada até explodir!

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