A certeza da desilusão...

Há certezas na vida que são tão certas que é impossível de serem questionadas.
Nada dura para sempre. Essa é uma certeza.
Nenhuma dor é eterna e nem toda a calma prevalece.
Somos tão feitos de tudo e não somos nada.
Somos páginas em branco de um livro aberto, tão incógnito, tão misterioso. Somos um livro à espera de ser escrito e desvendado.
As páginas que foram arrancadas na tentativa falhada de puder esquecer, de apagar o passado, de apaziguar a dor que se fez sentir. Foi em vão. Apesar de arrancadas, houve uma marca que ficou.
As feridas acabam por se curar eventualmente. Sinto as cicatrizes invisíveis que se espalham pelo corpo dorido e sentido de emoção. Feridas que sangraram e cicatrizaram mas que deixaram um pedaço delas em mim.
Sempre que alguém nos desilude é um corte profundo que foi feito. Cada vez que me desiludo é um soco que levo.
É um aperto que se faz sentir, é um coração que chora de frustração e uma mente calada que se desdobra no meio da confusão.
O que será pior? Ser desiludido por alguém ou por nós próprios?
Quando nos desiludem, há uma corda que foi cortada, há um vidro que se partiu, há um caminho que se destruiu. A confiança perde-se e nunca mais volta a ser a mesma.
Quando nos desiludimos, apesar de tudo, há algo dentro de nós que surge que nos faz querer ir mais longe e superar.
Ainda sinto o cheiro que paira no ar, ainda sinto as memórias que se fazem sentir frescas, ainda sinto a emoção que era estar com essa pessoa.
Desiludiram-me mas não deixei de sentir. Pudesse haver um botão que me permitisse o fazer…


CONVERSATION

3 comentários:

  1. Sentir, fazer luto e ultrapassar fazem parte do nosso progresso individual. Também sofro e me desiludo muitas vezes e, certamente farei sofrer e desiludo outras pessoas.

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  2. Os nossos sentimentos continuem, apesar de todas as desilusões, precisamente por não haver um botão que nos permita desligar quando nos falham...

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